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sábado, 27 de fevereiro de 2010
sábado, 13 de fevereiro de 2010
DEPENDE DE SUA VISÃO
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Quando a terra tremer sob os nossos pés

Joubert de O. Sobº FCB -24.01.10
Culto de Comissionamento CRE 01.02.10
Ef 2.20-22 - Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos Santos e da família de Deus; edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor, no qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus no Espírito.
1Pe 2.4-10 - E, chegando-vos para ele, a pedra viva, reprovada, na verdade, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo.
As tragédias dos terremotos
Calcula-se que, até agora, mais de 200.000 pessoas morreram no Haiti em conseqüência do recente terremoto. Por que tantas mortes? Porque as estruturas das casas não suportaram os abalos sísmicos; os fundamentos dos edifícios não foram elaborados levando-se em consideração a possibilidade de um tremor de terra daquela magnitude e, assim, ruíram dizimando milhares de vidas.
Os fundamentos dos edifícios em regiões que apresentam muitos terremotos (Japão, oeste dos EUA, etc.) são dimensionados com sistemas à prova de tremores. Há vários sistemas para estrutura anti-sísmica. Enormes peças côncavas de aço são postas sobre pilares, e, sobre cada uma delas, uma esfera, com certa folga. Num abalo sísmico, a esfera pode se mover sobre a superfície côncava, amortecendo, absorvendo o tremor e preservando assim o edifício de ruir. Outro sistema são estruturas de aço entre blocos, formando uma “mola” como a foto demonstra:
Especialistas informaram que, se o terremoto que destruiu a cidade de Áquila, na Itália em 2009, tivesse ocorrido no Japão ou EUA, dificilmente haveria perda de vidas.
Economia que não poupou vidas
Na China, uma quantidade enorme de crianças morreu por causa das escolas que ruíram na região mais atingida pelo tremor. Uma grave e triste constatação foi obtida especialmente analisando-se as causas da queda das escolas: os materiais (cimento, areia, ferragens) usados na construção das escolas eram de baixa qualidade. Muitas vidas teriam sido preservadas se os responsáveis pela construção optassem pela qualidade.
Planta de dimensionamento de fundação
Quando alguém vai pesquisar preços de apartamentos num edifício que ainda será construído, geralmente visita um stand de vendas onde se expõe a maquete do edifício, do apartamento, os desenhos das plantas internas. Mas confesso nunca ter visto nessas ocasiões a exposição da planta de dimensionamento da fundação. Isso não faz parte do marketing. Só interessaria aos engenheiros de construção civil que poderiam “ler” a mesma. No entanto, esta é uma informação fundamental. A segurança do edifício está na elaboração correta da estrutura e fundação. E mesmo depois de construído, essa parte da construção fica escondida, não visível ao público.
O edifício de Deus
Nas referências bíblicas acima os apóstolos Paulo e Pedro fazem uma analogia constantemente repetida nas Escrituras: a Igreja é comparada a um edifício. E como toda construção, ela é edificada resguardando suas características principais, sem as quais este edifício não é Igreja. A primeira delas é seu principal fundamento, a Pedra de Esquina, Jesus. Depois o fundamento dos apóstolos e profetas (Escrituras). Depois, as pedras vivas que se vinculam entre si e, sobre o fundamento, formam o edifício de Deus para sua morada, a Igreja.
Jesus é a pedra de esquina
A pedra de esquina era a pedra fundamental, que ficava no canto principal da casa. Sabe-se que no lançamento dessa pedra os cananeus realizavam sacrifícios de criancinhas. É a principal pedra em uma construção e sustentava toda a estrutura. Sua importância era tamanha que construtores homenageavam soberanos inscrevendo seus nomes nelas. Sobre esta pedra se formava o ângulo das duas paredes, Jó 38.6. Definir no terreno a localização da pedra fundamental era a primeira ação de uma construção. Toda edificação dependeria desta decisão. A pedra angular também era a pedra, em trapézio, que unia e fechava as paredes do arco. Seu peso firmava as paredes. Sem ela as paredes cairiam. Jesus é a pedra de esquina:
Sl 118.22,23 - A pedra que os edificadores rejeitaram tornou-se cabeça de esquina. Foi o SENHOR que fez isto, e é coisa maravilhosa aos nossos olhos. Mc 12.10,11
Is 28.16 - 16 Portanto, assim diz o Senhor JEOVÁ: Eis que eu assentei em Sião uma pedra, uma pedra já provada, pedra preciosa de esquina, que está bem firme e fundada; aquele que crer não se apresse. Rm 9.33
Lc 20.17,18 - Mas ele, olhando para eles, disse: Que é isto, pois, que está escrito? A pedra que os edificadores reprovaram, essa foi feita cabeça da esquina. Qualquer que cair sobre aquela pedra ficará em pedaços, e aquele sobre quem ela cair será feito em pó.
At 4.11 - Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta por cabeça de esquina.
Como Igreja, somos o edifício de Deus
A Igreja é um edifício de sólidos fundamentos dimensionado para suportar os piores abalos sísmicos. A história já nos deu provas de sua força e resistência. Estes são os fundamentos da Igreja:
Jesus Cristo - 1Co.3.10-12 Segundo a graça de Deus que me foi dada, lancei eu como sábio construtor, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele. Porque ninguém pode lançar outro [fundamento], além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo. E, se alguém sobre este [fundamento] levanta um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha,
Fundamento dos Apóstolos e profetas - ESCRITURAS – Ef 2.20 edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo o próprio Cristo Jesus a principal pedra da esquina; Ap.21. 14 - O muro da cidade tinha doze fundamentos, e neles estavam os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.
Vida que busca a santificação e justiça - 2Tm 2.19 Todavia o firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: O Senhor conhece os seus, e: Aparte-se da injustiça todo aquele que profere o nome do Senhor.
A Fé – Hb 11. 1 Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem. Cl 1.23 se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé e não vos moverdes da esperança do evangelho que tendes ouvido, o qual foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, estou feito ministro.
A igreja sofre com terremotos e tremores periódicos
Apesar de sofrer embates e “tremores”, a igreja jamais cairá. O reino que ela recebeu é inabalável, Hb 12.28, Pelo que, recebendo nós um reino que não pode ser abalado, retenhamos a graça. Em Ap 19 a Palavra afirma que a Igreja vai se aprontar para o “casamento” com Jesus. Esta era a certeza de Abraão que morou em cabanas esperando a cidade que tem fundamentos (a Igreja de Cristo). Hebreus 11.10 Porque esperava a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus.
Como indivíduos, somos edifício do Espírito Santo
Individualmente somos chamados para sermos templos do Espírito Santo, 1Co 6.19, Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?
Certamente nos manteremos de pé ou cairemos de acordo com a qualidade de nosso fundamento. 1Co 10.12. Aquele pois que cuida estar em pé, olhe não caia.
Jó suportou a grande provação em sua vida. Perdeu seus dez filhos, toda a sua riqueza e toda sua saúde, mas manteve-se fiel a Deus. Como pôde suportar? Deus conhecia a qualidade de seu fundamento e sabia que era inabalável. Assim também com Daniel, José, Jesus, Etc.. Deus conhece o nosso fundamento, a nossa estrutura, que “tremores” podemos suportar. Sl 103.13,14 Como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece daqueles que o temem. Pois ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó.
Como avaliar nosso fundamento?
Já que fundamento é algo que não está aparente ao mundo, convém nos questionarmos sobre a qualidade dos nossos fundamentos. Como estão nossas estacas? Foram instaladas na profundidade ideal? Como nos comportaríamos diante de um “tremor de terra” de alto grau? Tentações podem abalar uma vida, assim como as más notícias, enfermidades, acidentes, desemprego, perdas, morte de queridos, injustiças, divórcios, brigas, incompreensões, calúnias, etc. Tudo isto pode trazer abalos nas estruturas do edifício de nossas vidas. Na verdade, só então veremos a qualidade de nossos fundamentos. É na prática que vamos saber se nossos fundamentos são bons ou não.
Como assegurar a firmeza dos fundamentos?
Jesus, em simplicidade, nos orientou como podemos nos certificar da qualidade de nosso fundamento. Escutá-lo e praticar seus mandamentos nos assegurará firmeza na estrutura de nossas vidas. Se guardarmos sua Palavra e a praticarmos, certamente teremos nossa casa edificada sobre Ele e sobre o fundamento dos apóstolos e profetas (Escrituras). Desta forma apresentaremos resistência permaneceremos íntegros quando a terra tremer sob nossos pés.
Mateus 7:24-27 Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha. E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha.
E aquele que ouve estas minhas palavras e as não cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia. E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda.
Uma palavra de alerta
Assim como temos que fortalecer nossos fundamentos, temos que preservar os antigos marcos. Muitas coisas boas, bons hábitos e procedimentos nos foram impressos por nossos pais ou próximos que influenciaram positivamente nossas vidas, aprofundamento estacas espirituais em nossos corações. Deus nos alerta a não retirá-las: Provérbios 22.28 - Não removas os marcos (pedras, colunas, estacas) antigos que puseram teus pais.
Há boas tradições que devemos preservar: 2 Ts 2.15 Então, irmãos, estai firmes e retende as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa.
Como estão os seus fundamentos?
Quando a terra tremer sob nossos pés onde estará nossa segurança? É tempo de reforçar as estruturas; aprofundar as estacas, firmar os pilares, preservá-los, dar manutenção, prever os tremores e confiar que podemos edificar com sabedoria sobre os alicerces de sua promessa de que, Sl 125.1, os que confiam no Senhor serão como o monte de Sião, que não se abala, mas permanece para sempre. Ser capacitado por Deus para suportar os embates da vida certamente nos levará à vitória, Ef 6.13, Portanto tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau, e, havendo feito tudo, ficar firmes.
domingo, 24 de janeiro de 2010
Do cuidado contínuo com o fundamento bíblico dos pastores e líderes

Saudações aos amados em Cristo.
Tomo a liberdade de tecer algumas considerações sobre a necessidade de recursos para o aprofundamento bíblico de nossos pastores e líderes, tendo em vista os desafios de nosso tempo em que cresce a resistência ao pensamento cristão e a frustração de muitos cristãos com a “igreja”, seja qual for a natureza que imaginam para ela. De nossa parte somos uma igreja que o Senhor reestruturou após um grave desvio teológico (dentre outros menores) e, por necessidade e coerência retornamos aos fundamentos da Palavra de Deus, às doutrinas básicas da fé cristã procurando enxergar e entender a nossa identidade (foco de nosso trabalho atual).
Natureza contínua do cuidado doutrinário
Embora a questão doutrinária pareça algo resolvido, chamo a atenção dos irmãos ao aspecto contínuo que, por sua natureza, este trabalho necessita. As demandas de nosso tempo, novos desafios e desgastes "naturais" dos ministérios constantemente põem em risco as doutrinas básicas da fé cristã que, não raro, acabam desprezadas durante nossa labuta com outras prioridades.
Ouso afirmar que nem todos os pastores e líderes estão bem fundamentados nestas doutrinas básicas a ponto de recorrerem a elas quando a ventania aperta no mar aberto do ministério. Nestes casos muitos acabam recorrendo a outros fundamentos estranhos mais condizentes com o estado do coração do que com as Escrituras.
Crise de ansiedade por não saber
Quando eu era criança (minha mãe se divertia contando isso para todo o mundo...) com 4 ou 5 anos, encontrei-me numa crise de ansiedade. Um dia na hora do almoço, expressei-a dando um grande suspiro e dizendo como se fizesse um grande e dolorido esforço: - Como vou fazer para tirar meus documentos???!!! Meus pais riram muito e tentaram me acalmar dizendo que, quando eu estivesse mais crescido, eu iria a lugares na cidade próprios para isso, etc. e tal. Eu desconhecia e, por isto, sofria. Sem necessidade.
Tenho visto que muitos dos incômodos e questionamentos atuais de líderes da igreja estão no desconhecimento e no distanciamento da história e dos fundamentos da fé expressos nas Escrituras. Muitos entendem suas crises atuais como novidades nunca dantes vividas sendo que muitas destas questões já foram respondidas há séculos por alguém que se preocupou em esclarecê-las e documentá-las. Só falta saber onde se encontram.
A profundidade de um pires
O Pr. Paulo Oliveira, ao pregar na Família Campo Belo, mencionou que, como igreja, queremos evitar que nossos membros apresentem a "profundidade de um pires" em sua espiritualidade e conhecimento de Deus e das Escrituras. Certamente concordamos todos com isto. Mas, ao dizermos sim a este objetivo temos que nos lembrar que o aprofundamento dos membros passa pelo aprofundamento dos líderes e pastores. Senti na pele essa necessidade quando, aos 13 anos, fiz uma pergunta ao presidente da denominação à qual pertencia, porque julguei que ele era o mais preparado para sanar minha dúvida: - Por que Deus precisava de sacrifícios de animais no AT? Ele olhou para mim de cima de sua falta de tato e argumento bíblico e me respondeu: - Deus quis assim. Quem é você para questionar a Deus? Perfeito! Uma resposta que cala qualquer questionamento... Mas eu continuei como a minha dúvida.
Descobri que, como reação à Teologia Liberal (que não crê na inerrância nem na inspiração divina das Escrituras), os Conservacionistas passaram a desprezar o estudo aprofundado e metódico das Escrituras. Esta postura gerou o anti-intelectualismo, isto é, a idéia de que não é necessário se aprofundar no estudo nem das ciências, porque são "coisas do mundo" e podem nos desviar da fé como o fez com os teólogos liberais, nem das Escrituras porque o Espírito Santo fará acontecer o necessário. Quem herdou este pensamento? Boa parte das igrejas pentecostais e neo-pentecostais.
Não estaríamos sofrendo com esta herança não dando importância devida a este aspecto? Apesar de nossa característica de amor pela Palavra, afirmo que sim. Há 15 anos atrás quando resolvi voltar aos estudos sofri resistência, ainda que velada. Um pastor de nossa igreja, na época, me disse: "- Vá estudar a Bíblia!". Era o mesmo argumento de minha avó, anos antes: “- Porque estudar tanto, ‘fio’”? Ambos não o fizeram por pura ignorância, mas por acreditar que eu correria menos risco de me "desviar da fé" (embora considere muito mais a sinceridade de minha avó do que a incongruência do líder que me influenciava), o mesmo temor dos que rejeitavam a Teologia Liberal.
Sabe qual é o resultado desastroso deste pensamento na sociedade brasileira? Apesar de sermos um país cristão por definição - juntando católicos e evangélicos temos quase 90% da população - no mundo acadêmico, por exemplo, o que prevalece é o ateísmo! Qualquer menção a Deus ou às Escrituras é expurgada e rechaçada com violência. Isto é uma injustiça e uma incoerência. Por quê? Porque carecemos de um volume maior de cristãos bem fundamentados que simplesmente ocupem estes lugares sem crise (há alguns “heróis”, hoje; oremos por eles).
Na política, a bancada evangélica não tem unidade para preparar Leis que preservem a sociedade “cristã” e seus mais fundamentais valores como da Família, por exemplo. Por quê? Porque faltam homens e mulheres cristãos competentes e excelentes em suas ações que sejam preparados desde sua base para a função (ouvi que muitos se esquivaram de assumir a relatoria na Câmara, no caso do abuso das passagens aéreas, porque temiam ser expostos à opinião pública em razão de também as terem usado indevidamente. Pensei, era a hora de um cristão consciente, um Daniel, com bons fundamentos bíblicos e éticos recebidos desde a infância, que não se enlameou com uso indevido das passagens, tomar a frente e dizer: - Eu assumo, podem investigar minha vida!)
Porém, abro hoje um texto de Martinho Lutero quando escreveu aos líderes, aos pastores e pais da Alemanha de sua época encorajando-os a abrirem escolas, já que as escolas católicas, que só preparavam padres e freiras, já não faziam sentido depois da Reforma. Os argumentos dele são diretos (Educação e Reforma – Ed. Sinodal):
· Sendo a Palavra e o ministério da pregação os mais importantes para Deus, quem vai poder exercer este serviço? Pessoas que recebem instruções na escola, que estudam as línguas dos textos originais, que se preparam com excelência em seus estudos, que aprendem para poder ensinar a outros no caminho da fé.
· Quem vai assumir o governo secular e as ciências médicas e o juízo, visto que são instituições, criatura e ordem divinas, com autoridade conferida por Deus para o benefício dos homens? Pessoas estudadas, preparadas nas ciências e capacitadas a colocar rumos no país e conduzir o estado conforme os princípios de Deus.
Lutero e o preparo dos ministros
Lutero, diante do desinteresse de muitos pelo ensino de línguas (grego, hebraico e latim) - uma vez que já possuíam a Palavra de Deus em língua alemã - argumentou que esse desprezo era estratégia diabólica. Deus nos deu o Evangelho através da língua hebraica e grega. Sem elas não se preservaria nem o evangelho nem a expressão da própria língua pátria. Por causa do conhecimento delas foi possível trazer o evangelho em toda a sua pureza para o tempo de Reforma. Até os pais da igreja erraram muitas vezes na interpretação das Escrituras por tropeçarem em sua falta de conhecimento das línguas originais.
Ele explicou a diferença entre um pregador da fé e um intérprete das Escrituras, sendo o segundo uma fonte de segurança nas interpretações e debates da fé. Lembrou que a argumentação papista da “obscuridade” das Escrituras era devido ao desconhecimento das línguas originais. Alertou que em seu tempo havia plena condição de obter este conhecimento das línguas necessárias para cumprir o mandamento apostólico de julgar as doutrinas que se apresentam. Conhecer as línguas diminui o risco de desvios, assegura a Palavra divina como incontestável e capacita a lutar pela fé contra o erro.
John Wesley não era boxeador, mas acertava no fígado
Amados, será que este assunto é novo? Será que este meu cuidado é um capricho superficial e não revestido de importância? Então meditem nesta constatação que John Wesley fez de um de seus pregadores, John Trembath. Depois que a li perguntei a mim mesmo: o que John Wesley diria se me ouvisse pregar?
O que tem lhe prejudicado excessivamente nos últimos tempos e, temo que seja o mesmo atualmente, é a carência de leitura. Eu raramente conheci um pregador que lesse tão pouco. E talvez por negligenciar a leitura, você tenha perdido o gosto por ela. Por esta razão, o seu talento na pregação não se desenvolve.
Você é apenas o mesmo de há sete anos. É vigoroso, mas não é profundo; há pouca variedade; não há seqüência de argumentos. Só a leitura pode suprir esta deficiência, juntamente com a meditação e a oração diária. Você engana a si mesmo, omitindo isso.
Você nunca poderá ser um pregador fecundo nem mesmo um crente completo. Vamos, comece! Estabeleça um horário para exercícios pessoais. Poderá adquirir o gosto que não tem; o que no início é tedioso será agradável, posteriormente. Quer goste ou não, leia e ore diariamente.
É para sua vida; não há outro caminho; caso contrário, você será, sempre, um frívolo, medíocre e superficial pregador.
John Wesley, 17 de agosto de 1760.
Proposta
Tenho a percepção (que submeto inteiramente aos irmãos para avaliação) que seja a hora de nos aprofundarmos, não nos "mistérios e novidades", mas nas doutrinas básicas, nos fundamentos que suportam o edifício da fé cristã há séculos. Minha proposta é que tenhamos periodicamente uma reunião com foco especifico nestes pontos doutrinários fundamentais, trazendo gente de fora, reconhecida, especializada, que possa expor os fundamentos bíblicos e históricos a respeito destes assuntos, tais como: Igreja (eclesiologia), História da Igreja, Bíblia (revelação de Deus), Jesus (o centro da fé), Espírito Santo, Graça, o significado da Reforma, etc. Seriam lufadas periódicas de ar fresco a aliviar nossas mentes e refazer nossas forças.
Hoje as coisas estão mudando. Ouvi dizer que uma grande igreja (que não é histórica) já não aceita no pastorado pessoas que não tenham formação universitária ou teológica equivalente. Para os que não a tem a igreja oferece um curso para capacitação.
Estas são algumas considerações e uma proposta simples com o objetivo de aprimorar nossa igreja e ministério. Sou o primeiro a perceber esta necessidade em minha vida e, por isso, anseio partilhar e estimular meus irmãos, que repartem comigo esta responsabilidade pastoral, ao maior aprofundamento bíblico e melhor capacitação para o ministério.
Abração
Joubert

