quarta-feira, 14 de abril de 2010

O Leão e a ovelha


O Leão e a Ovelha

E eu chorava muito, porque ninguém fora achado digno de abrir o livro, nem de o ler, nem de olhar para ele. E disse-me um dos anciãos: Não chores; eis aqui o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, que venceu para abrir o livro e desatar os seus sete selos. E olhei, e eis que estava no meio do trono e dos quatro animais viventes e entre os anciãos um Cordeiro, como havendo sido morto... Ap 5.4-6.

Esta visão do apóstolo João contém revelações surpreendentes e profundas dos mistérios do evangelho de Jesus. João se angustia e chora ao perceber que mesmo nas regiões celestiais parecia não haver quem pudesse abrir o livro selado. Porém, um ancião lhe anuncia que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, havia vencido para abrir o livro. 

Ao procurar pelo Leão, João vê o Cordeiro no trono, com marcas de quem tinha morrido, isto é, marcas de sofrimento e feridas de morte. Esta revelação refere-se à encarnação de Jesus, que mesmo sendo Deus, o Leão, tomou a natureza humana, do cordeiro, para sacrificar-se em nosso lugar. Apesar de Cordeiro com marcas de feridas de morte ele não deixou de ser o Leão da tribo de Judá.

O livro selado

Naquele tempo, quando alguém vendia uma propriedade, por exemplo, o contrato era acertado entre as partes que assinavam o documento. Este era enrolado e selado, na presença de testemunhas, passando a pertencer ao novo proprietário. Somente o proprietário teria direito de abrir os selos do documento (rolo ou livro), pois, detinha o direito sobre ele.

Direito de abrir o livro

Sabemos pela Bíblia que Adão cedeu seus direitos de administrador da terra (o "documento" que autorizava seu domínio sobre a terra) a Satanás por causa do pecado. A partir de então, ninguém mais poderia “abrir os selos” do livro que confere direitos sobre a humanidade e a criação, a não ser que o adquirisse legalmente, alguém o comprasse por alto preço. Jesus pagou com a vida ao verter seu sangue sem pecado. Um Cordeiro puro em sacrifício. Jesus uniu o divino e o humano em sua natureza. Por isso, como Cordeiro, apesar de ser Leão, ele pode abrir o livro. Ele é o novo proprietário; aquele que adquiriu direito legal sobre a humanidade e a Criação.


Um leão que habita com ovelhas

O Espírito Santo vem habitar em nós quando recebemos a Jesus como nosso Salvador e Senhor. O trabalho do Espírito de Deus é gerar Jesus em nós: até que Cristo seja formado em vós, Gálatas 4.19.

Ora, nossa natureza humana, caída e frágil é figura da ovelha. Davi escreveu o Salmo 23 colocando-se na perspectiva de uma ovelha diante de seu pastor. A ovelha precisa de condução, cuidado, proteção, renovação de forças, pois está sujeita à tentação, injustiças, erros e sofrimentos. A ovelha tem muitos predadores e, às vezes, é oferecida em sacrifício.

O Leão, por sua vez, é figura de Deus, Oséias 5.14; 11.10, da realeza, da força, da justiça, da autoridade, coragem, confiança, digno de todo o domínio, poder, honra e glória.

Isto indica que, apesar de sermos “ovelhas”, apesar da fragilidade de nossa natureza humana, em nós habita o Leão da tribo de Judá, a realeza divina, aquele que tem força, autoridade e direito legal sobre as nossas vidas.

Esta verdade é confirmada pelo profeta Isaías 11.6,7 E morará o lobo com o cordeiro, e o leopardo com o cabrito se deitará, e o bezerro, e o filho de leão, e a nédia (de pele lustrosa por efeito de gordura) ovelha viverão juntos, e um menino pequeno os guiará. A vaca e a ursa pastarão juntas, e seus filhos juntos se deitarão; e o leão comerá palha como o boi.

O Leão tornou-se cordeiro para que possamos habitar com o Leão

2 Coríntios 8:9 porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico (Leão), por amor de vós se fez pobre (Cordeiro), para que, pela sua pobreza (sacrifício do Cordeiro), enriquecêsseis (a ressurreição, a vida do Leão em nós).

Neste aspecto, esta é a nova vida que Deus nos dá: a íntima convivência de nossa fragilidade, instransponível por nossas próprias forças, com o poder ilimitado da nova vida divina que habita em nós pelo Espírito de Deus que nos edifica com seu poder e a sua Palavra: Gl 2.20 Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; 2Co 5.17 Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.


Ândrocles e o leão

Ândrocles era escravo de um romano. Um dia resolveu fugir. Se fosse encontrado seria condenado à morte. Sendo assim correu desesperado para o meio da floresta buscando um refúgio. Viu uma caverna e aproximou-se na esperança de descansar. Porém, na porta da caverna estava um leão deitado. Ândrocles voltou atrás rapidamente notando que o leão somente olhou para ele, mas continuou deitado. Ora, não era o comportamento normal de um leão. Por isto, Ândrocles concluiu que o leão estava doente. Resolveu voltar e descobriu que o leão estava ferido na perna.

Ândrocles rasgou parte se suas vestes e começou a limpar o ferimento, retirando pedaços de madeira, cobriu a ferida com o pano e entrou na caverna para dormir, seguro que o leão não lhe faria nenhum mal. Após um tempo acordou somente para perceber que lá fora caía uma forte chuva e que o leão entrou para dormir ao seu lado.

Dias se passaram e Ândrocles trazia água e caça para o leão, que aos poucos foi se recuperando. Ambos usavam o mesmo refúgio e uma grande amizade nasceu entre os dois.

Um dia Ândrocles estava à beira do rio e sentiu uma lança em seu pescoço. Foi capturado por caçadores de escravos, levado para a cidade e preso debaixo de uma arena onde escravos eram condenados à morte, jogados às feras diante da multidão ávida pelo espetáculo de morte. Ândrocles sentia saudades de seu amigo leão.

O dia de sua morte chegou. Ele seria lançado às feras. Colocaram Ândrocles no meio da arena sob os gritos da multidão. Do outro lado um portão se abriu: um leão faminto foi solto e fustigado por soldados, para ficar bem raivoso. O leão, ao ver Ândrocles no meio da arena, começou a correr em sua direção. Sem armas, Ândrocles posicionou-se para lutar com as mãos até morrer. O leão pulou sobre ele derrubando-o. Ândrocles fechou os olhos aguardando o fatal cravar dos dentes afiados.

Mas, ainda de olhos fechados, sentiu algo quente, áspero e úmido passar pelo seu pescoço e subir pelo rosto várias vezes. Ao abrir os olhos reconheceu o seu amigo leão que havia deixado na caverna no dia em que foi preso.

A multidão silenciou. Era espantoso ver um leão, abanando a cauda, lambendo o rosto de um escravo que, por sua vez, não cansava de abraçar o leão como um velho amigo. O Imperador chamou Ândrocles e pediu que explicasse o que estava acontecendo. Ândrocles contou-lhe detalhadamente como fez amizade com o leão e da surpresa e alegria de reencontrá-lo ali.

O Imperador, admirado concedeu liberdade a ambos afirmando que uma amizade entre inimigos tão opostos deveria ser premiada e honrada.

Você tem o Leão de Judá como amigo?

Nós éramos escravos do pecado, mas o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi nos deu gratuitamente a vitória por meio de seu sacrifício. Hoje habitamos com o filho do leão, Jesus Cristo. Temos profunda amizade com aquele que venceu e tem toda autoridade para nos conduzir em liberdade e vitória até a eternidade.



terça-feira, 6 de abril de 2010

A doce riqueza da Lei do Senhor

Devocional do CRE de 08.03.10

A lei do SENHOR é perfeita e refrigera a alma;

o testemunho do SENHOR é fiel e dá sabedoria aos símplices.

Os preceitos do SENHOR são retos e alegram o coração;

o mandamento do SENHOR é puro e alumia os olhos.

O temor do SENHOR é limpo e permanece eternamente;

os juízos do SENHOR são verdadeiros e justos juntamente.

Mais desejáveis são do que o ouro, sim, do que muito ouro fino;

e mais doces do que o mel e o licor dos favos.

Também por eles é admoestado o teu servo;

e em os guardar há grande recompensa. Salmo 19.7-11


Parece que sempre que ouvimos a palavra Lei tendemos a pensar em rigidez, insensibilidade e rigor. Na verdade a Lei tem dois lados: o da punição da injustiça – onde o rigor e a rigidez têm seu lugar – e o da recompensa, o prêmio da justiça.


Mas a descrição da Lei do Senhor no Salmo 19 – salmo de Davi - não enfoca aqueles severos adjetivos. Pelo contrário, as referências à Lei do Senhor remetem à perfeição que renova a alma, à fidelidade que enche as pessoas de sabedoria, à justiça que alegra o coração, à pureza que esclarece a mente e doa eternidade. A Lei do Senhor é descrita como verdadeira e justa a ponto de ser mais desejada que o ouro fino e mais doce que o mel dos favos.


Quanto à ação da Lei, ela admoesta seus servos. Ora, o que é admoestar? Admoestar é repreender branda e benevolamente, benignamente, denunciando o mal feito e recomendando muito o bem a fazer. Mesmo em face de seu maior rigor ela corrige de forma meiga, afável, leve e suave aos servos de Deus.


Além disso, o salmista Davi afirma que aquele que guarda, obedece, cumpre a Lei terá grande recompensa. A palavra recompensa, no hebraico, refere-se à conseqüência, isto é, o resultado natural, provável ou forçoso sobre a vida de quem se submete à Lei do Senhor. O fato é que guardar a Lei traz benefícios para a vida. E uma grande recompensa não é uma recompensa comum!


Por outro lado, há na Bíblia muitos exemplos sobre a tristeza e desgraça causada pelo desprezo da Lei de Deus, no entanto, o caso que passo a contar demonstra a importância de atentarmos para Lei do Senhor, refletida nas regras sociais, sempre e em todas as ocasiões.


Certa vez um jovem, querendo impressionar sua namorada, após algumas latas de cerveja, convidou-a para nadar. Acontece que o dia já havia terminado. Ela logo perguntou onde poderiam nadar naquela noite e ele lhe disse que era na piscina do seu vizinho. Questionado se o vizinho tinha lhe dado permissão para isto, ele logo respondeu:


- Meu vizinho viajou com a família esta manhã. Não vai voltar tão cedo...


A garota, mesmo insegura, concordou em transpor com ele a cerca de altos arbustos sob forte escuridão. Ambos riam muito com a “aventura da transgressão”. O rapaz, mesmo nada enxergando, começou a se despir e caminhar para o fundo do quintal dizendo à namorada que daria um mergulho “olímpico” usando o trampolim encontrado com dificuldade, sobre o qual andou avisando que estava prestes a pular. A garota esperou rindo. Mas parou de rir quando ouviu um barulho estranho de um corpo se chocando contra o chão ao invés de águas em movimento.


A piscina estava sem água. O vizinho havia se aproveitado da viagem com a família para esvaziar a piscina. Como resultado o jovem fraturou a coluna e ficou paraplégico sofrendo o prejuízo por todo o restante de sua vida, acrescentando um fardo de dores para sua família unicamente por ter quebrado uma regra da Lei.


Maravilhosa é a Lei do Senhor que nos livra do mal e nos acumula de doces riquezas e grandes recompensas: “porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte”, Romanos 8.2.

domingo, 4 de abril de 2010

NÃO É UM SOM ESTRESSANTE???



Sabe, gente...

Tirei uns poucos dias de férias para descansar, mas veja o que encontrei...

Veja o vídeo, ouça o som e concorde comigo:

ESTE "BARULHO" NÃO LEMBRA A AVENIDA 23 DE MAIO, ÀS 18h, NUMA SEXTA-FEIRA COM CHUVA?

Você não imagina a dificuldade para dormir!

Estou estressado até agora... Querendo voltar pra lá...

Abração
Joubert

sábado, 3 de abril de 2010

Falou pouco, mas falou bonito!


Em 04 de agosto de 2009 o Ministério Público Federal de São Paulo ajuizou ação pedindo a retirada dos símbolos religiosos das repartições publicas. Pois bem, veja o que diz o Frade Demetrius dos Santos Silva:

Sou Padre católico e concordo plenamente com o Ministério Público de São Paulo, por querer retirar os símbolos religiosos das repartições públicas...

Nosso Estado é laico e não deve favorecer esta ou aquela religião. A Cruz deve ser retirada!

Aliás, nunca gostei de ver a Cruz em Tribunais, onde os pobres têm menos direitos que os ricos e onde sentenças são barganhadas, vendidas e compradas;

Não quero mais ver a Cruz nas Câmaras legislativas, onde a corrupção é a moeda mais forte;

Não quero ver, também, a Cruz em delegacias, cadeias e quartéis, onde os pequenos são constrangidos e torturados;

Não quero ver, muito menos, a Cruz em prontos-socorros e hospitais, onde pessoas pobres morrem sem atendimento;

É preciso retirar a Cruz das repartições públicas, porque Cristo não abençoa a sórdida política brasileira, causa das desgraças; das misérias e sofrimentos dos pequenos; dos pobres e dos menos favorecidos.

Frade Demetrius dos Santos Silva
São Paulo/SP
Fonte: FOLHA de SÃO PAULO, de 09/08/2009

terça-feira, 16 de março de 2010

SEM A PRESENÇA DO ESPÍRITO DE DEUS


C. H. Spurgeon

Sem a presença do Espírito de Deus, é melhor fecharmos as igrejas, trancarmos as portas a prego, colocarmos uma cruz preta nelas e dizermos: “Deus tenha misericórdia de nós”.

Se vocês pastores não tiverem o Espírito Santo, seria melhor não pregarem, e vocês povo, ganhariam mais se ficassem em casa.

Acho que não estou sendo drástico demais se disser que uma igreja sem a presença do Espírito de Deus é antes uma maldição que uma bênção. Se você prezado obreiro estiver sem o Espírito de Deus lembre-se que está no caminho de alguém. Você é como uma árvore infrutífera ocupando o lugar de uma que dá frutos.

Esta é uma obra séria. Ou o Espírito Santo ou nada, aliás, pior que nada. Morte e condenação a uma igreja que não esteja ansiosa pela presença do Espírito, que não esteja chorando e gemendo até que o Espírito seja poderosamente forjado em seu meio.

Ele está aqui. Desde que nasceu no dia de Pentecostes nunca deixou a terra. Muitas e muitas vezes Ele é magoado e vexado, pois o Espírito é particularmente sensível, e o único pecado que não tem perdão está relacionado à sua abençoada pessoa.

Portanto sejamos muito amáveis com Ele, andemos humildemente em sua presença, confiemos nele de todo o coração e resolvamos de uma vez por todas que no que diz respeito a nós, nada haverá de nosso conhecimento que impeça o Espírito Santo habitar em nós e permanecer conosco de hoje em diante e para sempre.

Irmãos, paz esteja com vocês e em seu espírito.

sexta-feira, 12 de março de 2010

HISTÓRIAS DE OPORTUNIDADES



Joubert de Oliveira Sobrinho

Devocional CRE - 01.03.2010

E (Jesus) quando chegou perto e viu a cidade, chorou sobre ela, dizendo: Ah! se tu conhecesses, ao menos neste dia, o que te poderia trazer a paz! Mas agora isso está encoberto aos teus olhos. Porque dias virão sobre ti em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, e te sitiarão, e te apertarão de todos os lados, e te derribarão, a ti e aos teus filhos que dentro de ti estiverem; e não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não conheceste o tempo da tua visitação. Lc 19.41-44

A origem da palavra

Etimologicamente a palavra oportunidade designava a possibilidade de uma embarcação alcançar o porto. Conta-se que quando o vento era favorável para o barco aportar ouvia-se os gritos: Oportunidade! Oportunidade!

Oportunidade é a ocasião favorável, uma chance, um momento propício para que algo seja feito, dito ou aproveitado. Uma boa oportunidade precisa ser bem aproveitada, pois em alguns casos pode ser a única ocasião ou chance de que algo seja feito. Quem já não perdeu uma boa oportunidade?

Cai, cai balão...

Na minha infância os balões enchiam o céu nas noites frias de outono e inverno. Hoje é proibido soltá-los devido aos incêndios que ocasionam tanto nas cidades quanto nas matas. Mas, contar balões no céu estrelado era parte do universo fantasioso das crianças que sonhavam voar com eles.

Mas minha oportunidade com os balões surgiu quando eu já tinha uns 15 anos. Ao chegar da escola, perto das 23 horas, ao abrir o portão do quintal, notei surpreso que no terreno do vizinho, à esquerda – o muro era baixo e batia na altura do meu peito –, vi um grande balão que descia mansa e vagarosamente, com a tocha quase apagada. Era só pular o muro e pegá-lo. Distava de mim menos de três metros.

Enquanto o balão caia de pé sobre a grama hesitei em pular o muro ao perceber o vizinho na janela olhando também para o balão. Vacilei sobre que decisão tomar: pediria permissão? Pularia em seu quintal e depois pediria desculpas? Titubeei por alguns segundos, travado entre os pensamentos. Enquanto isto, um carro parou em frente às nossas casas, do qual desceram uns três homens que procuravam o balão.

Certamente eles não o teriam visto, pois o mesmo aterrissou atrás de uma garagem. Mas ao me verem congelado com as mãos no muro olhando para o terreno, logo concluíram onde ele estava. Rapidamente pularam o portão do vizinho sem pedir licença e, diante dos meus olhos arregalados e de minha boca semi-aberta, pegaram o balão, apagaram o resto da chama da tocha fumegante, cuidadosamente o dobraram e o levaram embora junto com meus sonhos infantis.

Já se passaram mais de trinta anos desde que isto aconteceu e nunca mais caiu um balão tão perto de mim, ao alcance de minhas mãos. Ao que parece, isto nunca mais se repetirá na minha vida. Terá sido aquela uma oportunidade única?

A oportunidade perdida de Israel

O texto com o qual iniciamos mostra a chance que o povo de Israel deixou escapar em razão de sua cegueira espiritual. Jesus chorou ao falar desta oportunidade única e perdida. O povo de Jerusalém queria a paz com a vinda do Messias. Agora o Messias estava prestes a entrar por suas portas, mas não seria reconhecido. Pior. Seria rejeitado e morto. Além de perder a oportunidade de adquirir paz eterna, Jerusalém em breve se tornaria uma cidade destruída e a nação de Israel espalhada pelo mundo por séculos. E qual a razão disto? Porque Israel não reconheceu o tempo em que Deus veio para salvá-lo. Perdeu a grande oportunidade.

Pregue a tempo e fora de tempo

Andai em sabedoria para com os que estão de fora, usando bem cada oportunidade. Cl 4.5

O apóstolo Paulo absorveu esta prática de não perder a oportunidade que lhe surgisse, principalmente na pregação do evangelho. Quando escreveu a carta a Filemom em defesa do escravo Onésimo, Paulo menciona tê-lo levado a Cristo durante a sua prisão: Fm 10, “... em favor de meu filho Onésimo, que gerei entre algemas...”. Imaginamos que, na prisão, tem-se muito com que se preocupar, mas diante da necessidade espiritual de Onésimo, era mais importante para Paulo levá-lo a Cristo. Ele não perdia a oportunidade de evangelizar ainda que na prisão, sofrendo injustamente.

O cristão deve apresentar Jesus em toda e qualquer situação. Por isto escreveu a Timóteo: eu ordeno a você, com toda a firmeza, o seguinte: por causa da vinda de Cristo e do seu Reino, pregue a mensagem e insista em anunciá-la, seja no tempo certo ou não. Procure convencer, repreenda, anime e ensine com toda a paciência. , 2Tm 4.1.2(LH).

Um jovem que não perdeu a oportunidade

Ron Mehl contou a história de um jovem chamado Roger que não perdeu sua oportunidade. Ele havia acabado de ser dispensado do exército e voltava para casa. Caminhava pela estrada pedindo carona com sua grande mochila. Estendeu o braço para um carro que vinha ao longe para logo imaginar que seria mais um a ignorá-lo, principalmente porque era um carro preto, brilhante, novíssimo e caro. Para sua surpresa ele parou no acostamento e abriu a porta. Era um senhor de cabelos grisalhos que aparentava saúde e energia. Roger colocou sua mochila no banco de trás para logo notar que era de couro.

O Sr. Hannover com simpatia logo se apresentou a Roger e iniciou a conversa que se tornou espontânea com muitas histórias de ambos os lados. Enquanto os quilômetros eram vencidos, Roger, qu era cristão, sentiu vontade de falar de Jesus para o Sr. Hannover. Mas logo afastou a ideia por considerar que um homem abastado como ele não teria necessidades e não se interessaria por assuntos espirituais.

Depois de algum tempo, já estava chegando a cidade onde Roger desceria, novamente apertou no peito o desejo de falar de Jesus àquele homem. Desta vez Roger cedeu. Começou a falar de Jesus ao Sr. Hannover que se calou para ouvir. Enquanto falava de textos bíblicos Roger considerava que o homem não estava gostando da conversa. Mas ele foi até o fim a ponto de fazer a pergunta: - O senhor não gostaria de orar e entregar sua vida a Jesus hoje?

O Sr. Hannover desviou o carro para o acostamento e Roger imaginou-se chutado para fora do carro em meio aos berros. Mas não foi isto o que aconteceu em seguida. Para seu espanto o Sr, Hannover baixou a cabeça próximo ao volante e começou a chorar intensamente com as mãos no rosto. Assim que se recompôs disse:

- Eu quero fazer esta oração. Assim Roger falava e ele repetia em meio ás lágrimas. Ao final da oração o Sr. Hannover disse enquanto retornava à estrada: - Foi a melhor coisa que eu fiz na minha vida! Minutos depois chegaram à cidade de Roger. Ao se despedirem o Sr. Hannover deu-lhe seu cartão insistindo que o procurasse em sua empresa quando fosse à Chicago.

Cinco anos se passaram. Roger abriu sua empresa, casou e teve um filho. Finalmente deveria ir à Chicago tratar de negócios e lembrou-se do Sr. Hannover. Pegou o cartão e partiu. Após suas compras e contatos resolveu procurar a avenida mencionada no cartão. Logo ficou surpreso: o endereço era de uma empresa enorme instalada em um edifício imponente, todo de vidro. Apresentou-se à recepcionista como um velho amigo do Sr. Hannover. A jovem, após uns telefonemas informou que não seria possível falar com o Sr. Hannover, mas que sua esposa o atenderia.

Um tanto desapontado subiu pelo elevador perguntando-se o que haveria de falar com a esposa desconhecida de um homem que lhe concedeu uma carona. Entrou na sala bem decorada e por detrás de uma grande mesa de carvalho estava uma senhora de mais de cinqüenta anos que se levantou para recebê-lo. Ela logo foi lhe perguntando: - Como vai? O senhor disse ser um velho amigo, de onde conhece meu marido?

- Ele me deu carona há cinco anos atrás, quando eu fui dispensado do exército, conversamos muito durante a viagem e ele me deu seu cartão insistindo que o procurasse quando viesse a Chicago.

Ela interessada nos detalhes do que lhe dizia perguntou:

- Há cinco anos atrás... Você se lembra a data exata em que isto aconteceu?

- Sim, 07 de maio. Jamais me esqueceria do dia em que fui dispensado do exército! Ela, demonstrando-se mais interessada se aproximou de mim perguntando:

- E o que aconteceu nesta viagem? O que vocês conversaram? Roger desconfiou da pergunta. Onde ela queria chegar? Teriam eles se divorciado ou buscava ela alguma informação que pudesse ser-lhe útil? Deveria contar-lhe que o Sr. Hannover recebeu a Cristo? Era algo muito pessoal. Sentiu que deveria contar-lhe tudo:

- Naquela viagem, sra. Hannover, seu marido aceitou a Jesus e entregou-lhe a sua vida em oração. Ele chorou muito ao fazer isto e disse que era a melhor coisa que havia feito na vida.

Aquela mulher mudou o semblante e começou a chorar compulsivamente. Sem entender Roger preocupou-se: teria dito algo errado? A sra. Hannover demorou a se recompor. Assim que conseguiu se controlar começou a explicar:

- Sr. Roger, fui criada em um lar cristão, mas meu marido não. Orei pela salvação dele durante muitos anos e acreditava que Deus o salvaria. Mas, logo após você ter descido do carro, no dia 07 de maio, ele morreu vítima de uma violenta colisão frontal. Não voltou para casa. Pensei que Deus não tivesse cumprido sua promessa. Faz cinco anos que parei de viver para o Senhor, porque o culpava por Ele não ter cumprido sua palavra.

Nossas oportunidades

Nem Paulo nem Roger perderam a oportunidade de levar seus próximos a Jesus. Para alguns essa oportunidade pode ser única. Você tem aproveitado as suas oportunidades de apresentar Jesus às pessoas?

Há três coisas na vida que nunca voltam atrás:

a flecha lançada,

a palavra pronunciada e

a oportunidade perdida.

Provérbio chinês