segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Zelão e a reunião de oração


Joubert de Oliveira Sobrinho
Outubro/2009


Ao lado de minha casa havia uma vila. No fundo desta vila morava o Zelão, um homem alegre que gostava de contar histórias e piadas. Ao redor dele todos viviam rindo. Na verdade ele parecia um homem feliz, mas não era. Zelão era um alcoólico e exalava quase sempre um forte cheiro de álcool.

As crianças caçoavam dele porque de vez em quando o seu Zelão fazia as necessidades nas calças e passava entre elas cambaleante, malcheiroso, rosto e braços machucados de tanto cair. Elas não deviam rir dele. Zelão era um homem doente. Não se caçoa de um doente.
 
Às vezes ficava tão embriagado que não conseguia voltar para casa. Uma vez eu vi sua esposa e duas filhas virem pegá-lo caído na calçada. Elas disfarçavam, mas o rosto delas era triste.

Quando estava sóbrio, sem beber, seu Zelão era um homem diferente: calado, respeitador, educado e comedido. Mas ao beber, suas bochechas e nariz ficavam vermelhos e ele se tornava o vacilante, falador e aparentemente alegre seu Zelão.

Nas quartas-feiras, a dona Heny, minha mãe, reunia em casa algumas mulheres da igreja para fazer orações, cantar hinos e ler a Bíblia. A reunião era muito alegre. Começava com muita oração e depois elas cantavam e liam a Bíblia. Tinha uma mulher que tocava um órgão portátil com um pequeno teclado e dois pedais. O filho da dona Heny, um menino de uns nove anos, tocava o violão acompanhando a cantoria. No final, sempre tinha coisas gostosas para comer.

A verdade é que, quando as mulheres começavam a cantar, o som era tão alto que todos que passavam na rua olhavam para dentro da casa. Quando alguém parava no portão a dona Heny fazia questão de convidar a pessoa para entrar. A maioria não aceitava. Diziam que voltariam outro dia. Mas ela não perdia a oportunidade de sempre convidar os vizinhos.

Mas o Zelão se segurava no portão e ficava ouvindo. Minha mãe logo o trazia para dentro e o fazia assentar-se no banco de madeira da varanda. Ali, cambaleante, molhado e fedido ele ouvia os hinos, a pregação da Palavra e não saía sem que as irmãs o rodeassem e fizessem por ele uma boa oração para que Deus o livrasse daquele vício e o abençoasse.

Aí, então, ele chorava. Punha as mãos no rosto e chorava como uma criança. Na semana seguinte lá estava o Zelão novamente bêbado, se arrastando, sujo, machucado, falando alto e exalando de longe o forte cheiro de álcool. E isto aconteceu várias vezes.

Muitos anos depois a dona Heny passava por uma rua cheia de lojas quando um homem bem vestido de paletó e gravata, bem penteado, transparecendo no rosto muita saúde, se aproximou dizendo: 
 
- A senhora se lembra de mim? 

O rosto era conhecido, mas ela não conseguia lembrar de onde.

– Irmã Heny, eu sou José Lourenço, o Zelão! A senhora orava por mim nas reuniões de oração em sua casa, lembra? Eu vivia bêbado! 

Então o Zelão abaixou a voz e serenamente segurou as mãos de minha mãe dizendo:

- Irmã Heny, muito obrigado por ter insistido em orar por mim. Depois que a senhora mudou, eu fui para a igreja. Jesus me livrou daquele maldito vício. Minha família também conheceu a Jesus comigo. Veja, eu trabalho aqui! 

Disse ele, apontando para uma grande loja brilhante, envidraçada, cheia de motocicletas novinhas.  Com alegria de verdade e gratidão se despediu.

Dona Heny, admirada, seguiu feliz dando glórias a Deus, certa de que nem mesmo um vício destruidor como o do álcool pode resistir ao amor salvador de Jesus.

E eu que contei esta história para vocês, sou o menino que tocava violão nas reuniões de oração na quarta-feira, o filho da dona Heny. Eu conheci o “seu” Zelão e vi tudo isto acontecer. Também sou testemunha de que o amor de Deus, pelo poder de Jesus, pode fazer um prisioneiro do vício se tornar uma pessoa livre. 

2 comentários:

  1. amei essa historia. Frequentei uma reunião semelhante e hoje sinto saudades desse tempo.
    mantinhamos a comunhão com Deus e irmãos.Tambem faziamos jejum juntos.Quero isso de volta na minha vida.Deus falou comigo muitas vezes nesse tempo.
    valni loureiro

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  2. Que bom Valni!

    Vale a pena semear a Palavra de Deus junto com os irmãos.

    Abração

    Joubert

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