segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Assim falou a Chave de Fenda...


"Não se trata de ser conservador ou liberal, se trata de dar valor aos parafusos não soltos..."
Gustavo Jardim
Filósofo e Pensador JayCbe Campobelense

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Abaixo o povo brasileiro


Olavo de CarvalhoDiário do Comércio, 24 de agosto de 2009


Confirma-se pela enésima vez aquilo que venho dizendo há anos: a maioria absoluta dos brasileiros, especialmente jovens, é um eleitorado maciçamente conservador desprovido de representação política, de ingresso nos debates intelectuais e de espaço na “grande mídia”. É um povo marginalizado, escorraçado da cena pública por aqueles que prometeram abrir-lhe as portas da democracia e da participação.


Enquanto as próximas eleições anunciam repetir a já tradicional disputa em família entre candidatos de esquerda, mais uma pesquisa, desta vez realizada pela Universidade Federal de Pernambuco, mostra que, entre jovens universitários, 81% discordam da liberação da maconha e 76% são contra o aborto. “É um comportamento de aceitação das leis... a gente vê a religião influenciando muito a vida dos jovens", explica o coordenador da pesquisa, Pierre Lucena, na notinha miúda, quase confidencial, com que O Globo, a contragosto, fornece a seus leitores essa notícia abominável (v. http://g1.globo.com/jornalhoje/0,,MUL1268367-16022,00-OS+JOVENS+ESTAO+MAIS+CONSERVADORES+E+PREOCUPADOS+COM+O+FUTURO.html).

Na Folha de S. Paulo, no Estadão e no Globo, quem quer que pense como esses jovens – ou seja, o eleitorado nacional quase inteiro – é considerado um extremista de direita, indigno de ser ouvido. Nas eleições, nenhum partido ou candidato ousa falar em seu nome. A intelectualidade tagarela refere-se a eles como a uma ralé fundamentalista, degenerada, louca, sifilítica. Qualquer político, jornalista ou intelectual que fale como eles entra imediatamente no rol dos tipos excêntricos e grotescos, se não na dos culpados retroativos pelos “crimes da ditadura”, mesmo se cometidos quanto o coitado tinha três anos de idade.

Nunca o abismo entre a elite falante e a realidade da vida popular foi tão profundo, tão vasto, tão intransponível. Tudo o que o povo ama, os bem-pensantes odeiam; tudo o que ele venera, eles desprezam, tudo o que ele respeita, eles reduzem a objeto de chacota, quando não de denúncia indignada, como se estivessem falando de um risco de saúde pública, de uma ameaça iminente à ordem constitucional, de uma epidemia de crimes e horrores jamais vistos.


Trinta anos atrás eu já sabia que isso ia acontecer. Era o óbvio dos óbvios. Quando uma vanguarda revolucionária professa defender os interesses econômicos do povo mas ao mesmo tempo despreza a sua religião, a sua moral e as suas tradições familiares, é claro que ela não quer fazer o bem a esse povo, mas apenas usar aqueles interesses como chamariz para lhe impor valores que não são os dele, firmemente decidida a atirá-lo à lata de lixo se ele não concordar em remoldar-se à imagem e semelhança de seus novos mentores e patrões. É precisamente isto o que está acontecendo. Jogam ao povo as migalhas do Bolsa-Família, mas, se em troca dessa miséria ele não passa a renegar tudo o que ama e a amar tudo o que odeia, se ele não consente em tornar-se abortista, gayzista, quotista racial, castrochavista, pró-terrorista, defensor das drogas e amante de bandidos, eles o marginalizam, excluem-no da vida pública, e ainda se acreditam merecedores da sua gratidão porque lhe concedem de quatro em quatro anos, democraticamente, generosamente, o direito de votar em partidos que representam o contrário de tudo aquilo em que ele crê.


Pense bem. Se alguém lhe promete algum dinheiro mas não esconde o desprezo que tem pelas suas convicções, pelos seus valores sagrados, por tudo aquilo que você ama e venera, você pode acreditar ele lhe tem alguma amizade sincera, por mínima que seja? Não está na cara que essa é uma amizade aviltante e corruptora, que aceitá-la é jogar a honra e a alma pela janela, é submeter-se a um rito sacrificial abjeto em troca de uma promessa obviamente enganosa? Só um bajulador compulsivo, uma alma de cão, aceitaria essa oferta. Mas as mentes iluminadas que nos governam querem não apenas que o povo a aceite, mas que a aceite abanando a cauda de felicidade.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

AQUI, ALÉM E AGORA


Joubert de Oliveira Sobrinho, pr

Editorial da revista RENOVO, órgão informativo da Igreja Cristã da Família.


A Igreja Cristã da Família, ao longo de sua história, sempre promoveu e assumiu responsabilidades missionárias. Em alguns momentos o fez com intensidade; em outros, lentamente. Nossas experiências foram, em sua maioria, positivas. Cada um dos envolvidos nos projetos em vários estados do Brasil e em outros países pode contar os resultados da empreitada. A obra de Missões aponta para a saúde espiritual da igreja. Uma igreja saudável tem missões como prioridade. Ausência de ações nesta área demonstra imaturidade, fragilidade ou até enfermidade espiritual.


Historicamente constatamos que as maiores ações missionárias ocorrem quando há uma liderança visionária e uma igreja consciente, comprometida e bem informada. Pelo menos foi nesse contexto que eu e minha esposa tivemos nossa maior experiência em missões. Há mais de 20 anos, priorizou-se estabelecer uma igreja forte no nordeste do Brasil, sul do estado do Piauí, na cidade de Avelino Lopes. Em meio a erros e acertos os esforços redundaram em sucesso. Hoje temos quase uma dezena de igrejas na região, levando em consideração os novos pontos de pregação.


Porém, a visão precisa ser constantemente renovada, ampliada, reavaliada. É preciso olhar o que já foi feito e visualizar o que ainda podemos fazer; levar em consideração que nosso trabalho não acabou; nosso chamado continua e vai além. A necessidade é a mesma de vinte anos atrás: Jesus precisa ser pregado e a igreja precisa ser implantada onde há falta dela. Sempre houve e sempre haverá o risco de esfriarmos nossas ações missionárias. Tendemos a nos acomodar e a aplicar a política do "menor trabalho"; ou da espera da "melhor oportunidade" - que nunca chega ou sempre passa.


Hoje a Igreja Cristã da Família é constituída por várias igrejas associadas. Muitas dessas igrejas fruto do trabalho missionário de igrejas mais antigas. Porém, a continuidade do trabalho missionário se faz com igrejas saudáveis que priorizam esta ação como parte de sua razão de existir. Por isso Missões é parte de nossa identidade, configurando um de nossos Pilares. É a igreja local que vai insuflar ânimo, despertar chamados, preparar vocacionados e enviar missionários. Insisto que esse é o trabalho mais elevado de uma igreja. Todos os demais apontam para ele.


Bruce L. Shelley em seu livro História do Cristianismo ao Alcance de Todos (ed.Shedd Publicações) mostra três razões da expansão do cristianismo nos primeiros séculos.

  • Primeiro, os cristãos eram movidos por uma convicção inabalável. Eles estavam conscientes de terem conhecido o Messias e não podiam guardar para si as notícias da salvação. Se necessário fosse dariam a vida para demonstrar essa verdade.
  • Segundo, o evangelho apresentado foi ao encontro das profundas necessidades do coração das pessoas. Isto é, a pregação do evangelho supria e satisfazia.
  • Terceiro, a expressão prática do amor cristão era visível e impactante até para os pagãos que reconheciam dizendo: "Vejam como esses cristãos se amam"(escreveu Tertuliano).
Tenho a impressão que nossa igreja pode fazer muito mais do que tem feito. Você pode avaliar estes três fatores, quer em sua igreja ou em sua própria vida, e concluir se alguma coisa está faltando. Há convicção inabalável da fé? O evangelho pregado ou, melhor, vivido alcança os corações? Há prática de amor cristão genuíno e visível aos incrédulos? Se há sejamos missionários aqui, além e agora.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

O PENSAMENTO DE CHARLES DARWIN NO LEITO DE MORTE

DARWIN DIANTE DA MORTE


A postura de cada um na iminência da morte pode esclarecer suas motivações e escolhas durante a vida. Em geral, quanto mais maturidade se tem, mais condições de avaliar tais escolhas. As fotos mostram Darwin em sua juventude e em sua idade avançada.

Como estamos no ano de Darwin (2009), 150 anos de sua obra A Origem das Espécies e 200 anos de seu nascimento, que se inclua na lembrança deste ícone da ciência contemporânea, suas tão importantes palavras no leito de morte. Elas podem indicar onde estão as chaves que abrem as portas do cativeiro do pensamento humano. Medite e avalie por si mesmo.

A VISITA DE LADY HOPE A CHARLES DARWIN

Os estudantes da teoria da evolução podem surpreender-se ao saber que, no final de sua vida, Charles Darwin retornou à sua fé na Bíblia. O relato a seguir foi feito por Lady Hope, de Northfield, Inglaterra, uma maravilhosa mulher cristã que esteve muitas vezes ao lado de sua cama nos seus dias finais.
Foi numa dessas gloriosas tardes de outono que às vezes temos na Inglaterra que fui chamada para entrar e sentar-me com Charles Darwin. Sempre que eu o via, com sua presença elegante, eu imaginava que dele se podia pintar um quadro formidável para nossa Academia Real, mas nunca pensei tanto nisso como nesta ocasião em particular.
Ele estava sentado na cama, apoiado em travesseiros, olhando fixamente para uma cena distante no bosque e nos campos de milho que reluziam à luz de um maravilhoso pôr-do-sol.
Seu semblante iluminou-se de prazer quando entrei no quarto. Ele acenou em direção àjanela, apontando para a bela cena do poente. Em sua outra mão ele segurava uma Bíblia aberta, a qual ele sempre estava estudando.
“O que você está lendo agora?”, perguntei.
“Hebreus”, ele respondeu. “O Livro Real, como eu o chamo”. Então, à medida que colocava seus dedos sobre certas passagens, ele comentava sobre elas.
Fiz algumas alusões às fortes opiniões expressas por muitos sobre a história da criação, e sobre os julgamentos que faziam a respeito dos primeiros capítulos de Gênesis. Ele pareceu angustiado, crispando seus dedos nervosamente, e um ar de agonia tomou conta do seu rosto ao dizer: “Eu era um jovem com idéias informes. Soltava perguntas, sugestões, indagando o tempo todo sobre tudo. Para meu espanto, as idéias se alastraram como fogo. As pessoas fizeram delas uma religião”.
Ele ficou em silêncio por um tempo e depois de dizer algumas frases sobre a santidade de Deus e a “grandeza deste Livro”, olhando com carinho para a Bíblia que estava segurando o tempo todo, ele disse:
“Tenho um quiosque no jardim que comporta cerca de trinta pessoas. É ali (ele apontou através da janela aberta). Gostaria muito que você falasse lá. Sei que você lê a Bíblia nas aldeias. Amanhã à tarde gostaria que os empregados neste lugar e alguns inquilinos e vizinhos se reunissem ali. Você lhes falaria?”.
“Sobre que devo falar?”, perguntei.
“Cristo Jesus”, ele respondeu num tom claro e enfático — e acrescentou num tom mais baixo: “e Sua salvação. Não é o melhor tema? Depois quero que você cante alguns hinos com eles. Você pode acompanhá-los com seu pequeno instrumento, não pode?”
O brilho do seu rosto, quando ele disse isto, eu nunca esquecerei, pois acrescentou: “Se você fizer a reunião às três horas, esta janela estará aberta, e você saberá que estou cantando junto com vocês”.
Haveria uma cena mais dramática? O âmago da tragédia nos é exposto aqui! Darwin, um entusiasta da Bíblia, falando sobre a “grandeza deste Livro”, e sendo lembrado de que o movimento evolucionista moderno na teologia, unido ao criticismo cético, destruiu a fé bíblica de multidões. Darwin, com um ar aflito, lamentando-se por tudo e declarando: “Eu era um jovem com idéias informes”. Que condenação avassaladora! As “idéias informes” do jovem Darwin são a base da teologia (e da ciência) moderna!

(Oswald 3. Smith, Litt. D., artigo extraído de Prayer Crusade, publicada por The Little Church by the Sea, mc.) Citado no livro: O que eles disseram a um passo da eternidade, John Myers, pp. 244, Worship Produções, D’Sena Editora.

P.S.
SOBRE A VERACIDADE DESTA HISTÓRIA
Citei ipses verbis a fonte referida, mas não de forma irresponsável. 
Ao contrário do que dizem, o fato não é tão lendário assim. Cito: 

"The Survival of Charles Darwin, de Ronald W. Clark, explica a estória mas não entra em muitos detalhes. 
Em 1994, o professor da Open University, James Moore, publicou o livro The Darwin Legend, do qual alega que Hope visitou Darwin entre 28 de setembro à 2 de outubro de 1881, quando Francis e Henrietta estavam ausentes e a esposa de Darwin, Emma, estava presente, mas que Hope subsequentemente enfeitou a estória."

O assunto se tornou alvo de várias pesquisas acadêmicas.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Os ingredientes do "bolo" da vida


Joubert de Oliveira Sobrinho, pr.

Equipe CRE em 20.06.09

Família Campo Belo em 21.06.09

E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por seu decreto. Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. Rm 8.28,29

Sempre que coisas ruins acontecem, uma série de questionamentos é gerada. Procuramos entender o porquê dos acontecimentos, mas nem sempre temos respostas. Recentemente a queda do Air France reiniciou o processo de questionamentos. Alguns procuram alguma explicação lógica. Os mais frios, uma resposta técnica. Mas, não poucos, culpam a Deus dizendo: Se Deus existe, por que não evitou este acidente?

Abaixo estão duas variações da tradução do texto do livro de Romanos acima descrito:

· “Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam” NVI

· “Deus coopera com você, que o ama, para trazer a existência o que é bom...”

Sem dúvida, a afirmação categórica é que Deus está no controle de tudo o que acontece, quer seja bom ou ruim, para o benefício de seu povo.

Este texto guarda um princípio da Palavra de Deus especialmente aplicável aos momentos difíceis de nossas vidas. Tê-lo no coração significa consolo certo e esperança em tempos de crise. Convém lembrarmos da famosa história do rei que perdeu o polegar.

Tudo o que Deus faz é bom

Era uma vez um rei gostava muito de caçar. Dentre seus amigos que levava às caçadas, havia um que era muito piedoso e temente a Deus (o monarca, por sua vez, não se detinha nas questões da fé).

Sempre que o rei conseguia abater um animal, aquele sujeito gritava:
- Aleeeluuuuia! Tudo que Deus faz é bom!

E o rei se envaidecia destas palavras.

Um dia, quando o rei disparou sua arma de caça, o tiro saiu pela culatra, arrancando-lhe o polegar da mão direita. Enquanto voltavam para casa, carregando o rei numa maca, o sujeito disse: - É... Tudo que Deus faz é bom!
O rei ficou furioso, mandou prendê-lo num calabouço e jogar a chave fora.

Passado o trauma inicial do acidente, o rei e os seus demais amigos voltaram a caçar.
Numa destas viagens, o grupo caiu nas mãos de uma tribo de canibais e, um a um, eles foram sendo devorados pelos selvagens. O rei ficou por o último. Mas, quando chegou sua hora, ao vir examiná-lo, o sacerdote dos canibais percebeu que lhe faltava o polegar da mão direita, desqualificou-o como oferenda e ordenou que o libertassem.

Ao voltar para seu reino, o rei mandou soltar seu amigo e contou-lhe toda a história.
- Se o senhor não tivesse perdido o polegar naquele dia, estaria morto esta hora. Eu lhe disse meu rei, tudo o que Deus faz é bom!

O rei se desculpou com seu amigo, por ter-lhe mandado prender e fez-lhe uma pergunta: - Meu amigo, eu ainda tenho uma questão não resolvida em meu coração. Se tudo o que Deus faz é bom, porque Ele permitiu que eu mandasse lhe prender, injustamente, por dois anos atrás das grades?

O amigo logo respondeu:
- Ah, meu rei, tudo o que Deus faz é muito bom!!! Se eu não estivesse aqui, preso, estaria agora na barriga dos canibais. (autor desconhecido).

Para o pensamento judaico com base no Antigo Testamento, os justos seriam grandemente recompensados por quaisquer sofrimentos neste mundo. Deus, sendo soberano, conduziria a História a um clímax quando justificaria seu povo e faria com que obtivesse vantagem de seu sofrimento passado, recompensando-o. Alguns chegavam a conjecturar que tais sofrimentos “pagariam” os pecados da pessoa (somente o sacrifico de Jesus pode operar isto, Rm 3.25).

A fonte dos males no mundo

A Bíblia nos revela que a raiz de todos os males é o pecado que entrou em nossas vidas através de Adão e Eva. No entanto temos compreendido pelos relatos bíblicos que há sofrimentos que nos sobrevém de situações variadas.

· Às vezes sofremos por causa de nossos pecados,

Gálatas 6:7.8 Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia na sua carne da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito do Espírito ceifará a vida eterna.

Assim aconteceu com Davi, 2Sm 11. Ele, sua família e até o reino sofreram muito o fruto de seu pecado.

· Outras vezes, sofremos pelos pecados dos outros (pecado coletivo).

Moisés, Arão, Josué e Calebe tinham plenas condições de entrar na terra prometida logo que saíram do Egito, Nm 14. No entanto, por causa do pecado do povo, tiveram que peregrinar pelo deserto por quarenta e cinco anos antes de tomarem posse dela, Josué 14.

· Às vezes sofremos para que outros sejam libertos ou beneficiados.

Certamente, só pelo fato de pertencermos a Cristo e servi-lo, traremos para nós motivo de sofrimento. Jesus não nos enganou a respeito disso: Se vós fósseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia. João 15.19.

A história de José, a partir de Gênesis 37, é das mais significativas neste sentido. Ele sofreu muito por causa dos irmãos, Gn 42.21. Porém, por duas vezes revelou o seu entendimento a respeito do ocorrido. José considerava que era Deus que o havia enviado para o Egito, apesar dos irmãos terem intentado o mal contra ele, Gênesis 45.4-8; 50.19-21. Para José Deus reverteu o mal em bem e cumpriu a sua vontade. Ele entendeu que seu sofrimento foi necessário para o fim que se evidenciava: preservar a descendência de sua família. Hoje, sob a perspectiva bíblica, entendemos que, mais do que preservar sua família, José sofreu para resguardar a linhagem na qual, a seu tempo, o Messias Jesus Cristo se manifestaria.

A promessa da Palavra é que todas as coisas que acontecerem conosco vão contribuir juntamente para o bem daqueles que amam a Deus. É difícil pensar isto quando nossos pais estão se separando, estão desempregados ou quando nossos amados estão seriamente doentes ou até morrem. Nessas horas muitos se sentem “azarados”, solitários, abandonados, não amados ou até mesmo culpados.

O benefício último das provações

Podemos não vir a conhecer especificamente a razão de nossos sofrimentos. Jó não o soube apesar de Deus falar com ele por muito tempo sobre muitos assuntos, Jó 38. Para o apóstolo Paulo o derradeiro bem das provações é a obra delas de conformação do crente à imagem de Cristo no final: Rm 8.29 - Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.

Um pouco de sofrimento antes da glória

Rm 8.18 Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada. (ainda não plenamente conhecida).

Paulo entendia que para participar da herança da glória futura deveríamos compartilhar os sofrimentos do Messias (incluindo sua morte), Cl 1.24-27 Regozijo-me, agora, no que padeço por vós e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a igreja; da qual eu estou feito ministro segundo a dispensação de Deus, que me foi concedida para convosco, para cumprir a palavra de Deus: o mistério que esteve oculto desde todos os séculos e em todas as gerações e que, agora, foi manifesto aos seus santos; aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória;

A atitude cristã diante do sofrimento

De acordo com o texto de Lc 21.8-19, Jesus nos deu nove sinais para os quais deveríamos estar atentos antes de sua vinda: falsos mestres e líderes, guerras (confronto de nações), sedições (tumultos populares, revoltas), grandes terremotos, fomes, pestilências, coisas espantosas e grandes sinais do céu, perseguição aos cristãos. Porém, com base no texto concluímos que, em relação ao sofrimento:

· a desgraça é uma oportunidade, “E vos acontecerá isto para testemunho”, (v.13); note que a afirmativa de Jesus é de que estas coisas acontecerão aos cristãos. É o que inferimos da lista toda e não somente da perseguição.

· a postura de vitória é a de perseverança (paciência) diante das crises, (v.19).

Quando nos sentimos culpados

Há uma tendência a nos sentirmos culpados pelo mal que sofremos. Achamos que estamos sendo acusados e punidos por Deus ou por Jesus. No entanto, Paulo deixa muito claro que nem Deus nem Jesus tomam esta postura acusadora, Rm 8.31-39.

· Deus não é o seu acusador

Rm 8.31-33 Que diremos, pois, diante dessas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos dará juntamente com ele, e de graça, todas as coisas? Quem fará alguma acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica.

Justificar é um ato próprio de um juiz, é um termo forense que significa “absolver”, “declarar justo”, o oposto exato de “condenar”. Como pode o Deus que nos deu o seu Filho e nos justifica ser ao mesmo tempo o acusador? Rejeite essa idéia.

· Jesus não é o seu acusador

Rm 8.34-35 Quem os condenará? Foi Cristo Jesus que morreu; e mais, que ressuscitou e está à direita de Deus, e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?

Jesus entregou-se como sacrifício por nós, venceu a morte e ressuscitou e, hoje, intercede por nós à direta do Pai. Como pode interceder e nos acusar ao mesmo tempo? Um dia Jesus voltará como Juiz, mas hoje ele é nosso Advogado, 1Jo 2.1.

Que fique claro: o acusador é o diabo, Ap 12.10.

· Por amor a Deus enfrentamos a morte todos os dias sendo mais que vencedores

Rm 8.36-37 Como está escrito: Por amor de ti enfrentamos a morte todos os dias; somos considerados como ovelhas destinadas ao matadourohttp://, (Sl 44.22). Mas, em todas estas coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou.

Paulo afirma que ainda que morramos somos mais que vencedores!!! Quando ele diz “em todas estas coisas” ele está listando todos os tipos de sofrimento incluindo a morte.

· Nada pode nos separar do amor de Cristo

Rm 8.38-39 Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônioshttp:, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.

Não é porque sofremos nesta terra em maior ou menor intensidade, seja qual for a causa (podendo até morrer), que devamos duvidar do amor de Jesus por nós. Nada poderá nos separar de seu amor. Nem a morte, nem o diabo do inferno, nem todo o universo criado pode impedir o amor de Jesus por nós. Esta é a verdade que nos consola na tribulação. Esta é a certeza que a que podemos nos refugiar nas crises da vida.

Os ingredientes do bolo

Assim sentia aquela menina que chegou triste em casa.

Foi só encontrar a mãe na cozinha para começar a lamentar:

- Por que tudo isto está acontecendo comigo? Não agüento mais!

- O que aconteceu filha? Exclamou a mãe interessada.

A menina logo foi falando separando um dedo da mão esquerda para cada frase:

- Fui mal na prova de matemática, mesmo tendo estudado.

- A minha melhor amiga, vai sair da escola porque está mudando para outra cidade.

- A vovó está doente.

- E eu perdi a minha melhor lapiseira.

- Por que tudo tem que acontecer comigo? O que eu fiz de errado para merecer isto?

A mãe ouviu atentamente e, sem comentar, perguntou:

- Quer um pedaço de bolo?

– Oba, tem bolo? Eu amo seus bolos!

A mãe pegou uma colher e a garrafa de óleo e disse: - Tome umas colheres de óleo.

- Credo! Disse a menina fazendo careta.

- Que tal uns ovos crus? Propôs a mãe alcançando a cesta de ovos.

- Bah!

- Então experimenta a farinha de trigo e um pouco de bicarbonato de sódio...

- Que nojo, mãe! Que é isso?

Então a mãe respondeu:

- Deus trabalha do mesmo jeito. Às vezes a gente se pergunta por que ele quis que nós passássemos por momentos difíceis, mas Deus sabe que quando ele põe todas essas coisas na ordem exata, elas sempre nos farão bem. A gente só precisa confiar nele e todas essas coisas ruins se tornarão em algo fantástico! (autor desconhecido).

Deus é poderoso para unir os ingredientes peculiarmente desagradáveis da vida e, por sua vontade, transformá-los num apetitoso, atraente e inigualável “bolo” que há de maravilhar e abençoar a muitos e, quem sabe, gerações, na história da Igreja na terra!